A ilusão é uma confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção. A ilusão pode ser causada por razões naturais (mudança de ambiente, deformação do ambiente, mudança de clima, etc) ou artificiais (camuflagem, mimetismo, efeitos sonoros, ilusionismo entre outros). Todos os sentidos podem ser confundidos por ilusões, mas as visuais são mais conhecidas. Uma vez que a percepção é baseada na interpretação dos sentidos, as pessoas podem experimentar ilusões de formas diferentes.

Um fantasma é, em seu sentido original, uma imagem não correspondente à realidade, ou seja, uma ilusão visual, produto da fantasia. Por extensão, o termo designa espíritos de pessoas que supostamente permaneceria na Terra depois de sua morte. Cada cultura no mundo contém histórias sobre fantasmas, mas as crenças divergem substancialmente de acordo com o período e local, muitas vezes discordando sobre o que são fantasmas e se realmente eles existem.

Sempre gostei de futebol e como toda criança eu também sonhava em ser jogador profissional. Até o momento em que conheci o skate e ele revolucionou minha vida. Viajei para vários lugares e fiz várias amizades através do skate.

Uma delas foi o Monteiro. Cara tranqüilo e humilde e como todo jovem sonhador às vezes ele se iludia em sua própria realidade. Morador da periferia de Franca onde morava numa casa tranqüila com seus pais e duas irmãs.

Os picos de skate sempre eram o ponto de encontro da rapaziada e conforme as afinidades a amizade se criava através do skate. Sempre depois da sessãobroken skate era de praxe aquele refrigerante de dois litros do mais barato com aquele pacote de biscoitos na praça mais próxima ou na frente do posto de gasolina. Formava-se a roda e sentados no skate já cansados depois de um dia de manobras satisfatório, dávamos risadas de nós mesmos combinando a saída de logo mais a noite.

Monteiro sempre chegava junto, se deslocava de longe para estar com os amigos, quando alguém não tinha dinheiro sempre rolava aquela vaquinha para o irmão sempre chegar junto na noite. Lembro-me das incontáveis noites em que nós comprávamos uma garrafa de vinho, apenas eu e o Monteiro. Nas noites frias de Franca sentávamos num banco de praça, sempre com uma bebida, falávamos sobre os mais diversos assuntos, mas principalmente sobre os conflitos que tínhamos com a realidade que víamos no dia-a-dia.

Na frente da casa do Monteiro tinha uma lanchonete onde ele e seus pais trabalhavam para garantir o ganha pão da família. Com o tempo sua mãe comprou uma moto usada para ajudar na entrega dos lanches e Monteiro ficava nessa função. Nas sessões de skate ele já chegava de moto e até viajava para cidades vizinhas para andar de skate em outras pistas.

Ele sempre vinha em casa para trocar uma idéia e às vezes, quando rolava um stress em sua residência ele dormia lá. Falava-me das dificuldades que passava e de sua visão fantasiosa sobre a realidade da sociedade sempre questionando as diferenças e desigualdades sociais. Era meu amigo e todos o consideravam, fosse pela sua pessoa de personalidade humilde ou pelo seu skate de manobras variadas e com muito estilo. Enfim uma pessoa do bem.

Com a minha mudança para o Rio de Janeiro fiquei distante dos amigos fisicamente, mas em pensamento estavam todos presentes. Mantive contato com eles através de e-mail ou telefonemas entusiasmados falando da mudança para um lugar novo e desconhecido. Meu único vínculo de amizade era em forma de pensamentos com as lembranças dos momentos em que passava junto com os amigos na sessão de skate.

Um dos poucos que não tive mais contato foi Monteiro. Depois de dois anos longe de Franca, voltei para fazer uma visita aos amigos. Fiquei surpreso quando me contaram que a mãe do Monteiro viera a falecer e por isso ele saiu de casa, virou andarilho e começara a usar drogas pesadas, vivendo de pequenos furtos e vagando pelas ruas cegas de Franca. Fiquei chocado não esperava isso dele.

O skate que sempre nos trouxe algo de positivo na maneira de pensar e agir nas mais diversas situações, não influenciou nessa decadência de um amigo querido. Depois dessa notícia percebi que uma mente desequilibrada por causa de uma tragédia pode facilmente sucumbir aos males da vida num piscar de olhos. Apenas desejei que onde quer que Monteiro esteja que fique em paz de espírito.

Seis anos se passaram e me falaram que Monteiro nunca mais foi visto. Disseram-me, com palavras carregadas de tristeza, que assassinaram Monteiro por causa de uma dívida de drogas não paga, mas não tinham certeza absoluta do fato, sabiam apenas que ele nunca mais foi visto. Nesse momento lamentei sobre o comentário do final trágico que um amigo querido levou.

Num certo sábado, saio do prédio onde trabalho no centro do Rio, por volta das sete horas da noite para comer alguma coisa. Vou a uma lanchonete que fica na esquina comprar um salgado e passo numa barraca de camelo para comprar um refresco.

Ouço uma voz masculina com uma tonalidade arrastada por trás de mim pedindo um dinheiro. E quando me viro e olho para o pedinte fico surpreso e ao mesmo tempo espantado com a visão, era o Monteiro. Percebo nele um olhar vago e um tom de voz diferente. Ele estava descalço vestindo uma camisa suja e uma calça jeans com a barra dobrada até o joelho, com uma mochila nas costas e segurando uma sacola com latas de alumínio. Cumprimento ele e digo que estou surpreso em vê-lo e percebo em sua expressão que ele também estava surpreso tanto quanto eu.

Nosso diálogo foi vago e curto. Questionei sobre o que estava fazendo aqui no Rio e ele com uma voz triste apenas me pedia um Real. Perguntei se ele estava com fome ou sede para eu poder lhe comprar alguma coisa, mas com uma expressão de quem havia perdido sua alma numa caminhada de amargura sem fim, ele apenas me pedia um trocado. Dei-lhe o dinheiro não me importando pelo destino final, fosse para ele comprar algo para comer ou alguma droga para usar, meu único sentimento momentâneo foi ter um mínimo de compaixão com um velho amigo. Ele me agradeceu e falou que nos encontraríamos por aí. Deu-me as costas e saiu andando, provavelmente sem destino certo.

Fiquei abalado com tão incrível coincidência. Perguntava-me que como depois de seis anos sem vê-lo o encontraria naquela situação e justo aqui perdido no Rio. Parecia algo já escrito pelo destino. Fiquei mais surpreso ainda pela sua atitude de frieza em relação a seu tratamento comigo, um amigo de longa data.

Liguei para um amigo de Franca para lhe contar o ocorrido. Ele tanto quanto eu se mostrou surpreso e espantado com o encontro e pelo fato do Monteiro estar por essas bandas de cá, mas ficou tranqüilo em saber que o boato de que ele tinha morrido era falso. “Tenho a impressão de que tive uma ilusão ou vi a imagem de um fantasma, mas ele estava vivo fisicamente, – respiro fundo e com palavras tristes completo – mas de alma infelizmente não tenho tanto essa certeza”, fizemos um minuto de silêncio e encerramos a ligação.

Jonas Candido

Setembro/2008

rancho da vaca

Saímos de Ribeirão Preto, eu e meu amigo de longa data o Tiago, rumo a um rancho que fica nos arredores de Araraquara, interior de São Paulo.

Primeira e última vez que venho ao rancho.

Um rancho que é de um dos tios do Tiago, não sei de qual tio, pois ele tem vários, fomos com a intenção de relaxar a mente num lugar tranqüilo onde só se ouve a melodia dos pássaros e o movimento contínuo das folhas das árvores o que traz uma sensação de paz e tranqüilidade ao espírito. O que uma cidade cheia de concreto, asfalto e buzinas não oferece.

No rancho tem uma casinha de três cômodos. Um banheiro sem azulejo e de chão vermelho, uma cozinha com uma grande janela para frente do rio com uma proteção de tela para evitar a entrada de mosquitos na noite. Porém com vários furos o que não evita a entrada das sanguessugas voadoras e um pequeno quarto com meia dúzia de colchões que pela aparência parece que estão ali a algumas gerações. E lá fora uma rede de balanço encardida pendurada na entrada da casa.

Chegamos numa sexta-feira por volta de cinco horas da tarde. Deixei minha mochila com apenas duas mudas de roupas e fui contemplar o rio que passa encostado ao rancho. Um rio de água turva e largo onde a correnteza é forte como um tufão, do outro lado apenas uma densa mata com vários tipos de árvores que exalam o mais puro oxigênio. Meu pulmão acostumado com a fumaça de carro agradece.

Logo escurece, pouca iluminação nas redondezas o que dá um clima sombrio ao lugar. Vizinhos são distantes e a civilização mais perto fica a uns dez quilômetros daqui. Logo me lembro de algumas histórias macabras, contadas pelo tio do Tiago, que rondam por essas bandas, mas que para mim não passam de lendas.

Saio eu e o Tiago com uma lanterna de luz fraca para achar e recolher um pouco de merda seca que as vacas deixam ao longo da estrada. Os jagunços da roça dizem que quando se põe fogo nessa merda ela provoca uma fumaça inodora que espanta os mosquitos à noite, vai ser a nossa salvação pois os mosquitos estavam atacando nossa pele acostumada com ar condicionado e sabonete neutro, um banquete para eles.

Estamos caminhando em meio à estrada de terra esburacada, coletando a tal da merda quando vejo, numa casinha de pintura azul desbotado, uma linda garota penteando seus longos cabelos negros á luz do luar com um radiante vestido branco que vai até a altura dos joelhos. Um olhar angelical onde seus olhos parecem duas jabuticabas das mais doces e chego à conclusão de que realmente existe amor a primeira vista. Comento com meu amigo a beleza inigualável daquela garota e ele, como um típico garoto da cidade, diz que é bonitinha, mas não passa de um roceira, ignoro seu comentário observo mais um pouco sua beleza e seguimos de volta ao rancho.

Não a tirei da cabeça o resto da noite. Em volta da fogueira e ao som de Tião Carrero e Pardinho, fiquei pensando naquele rostinho angelical de quem parece que saiu dos melhores sonhos já sonhados.

No dia seguinte me fixei na missão de que teria que conhecê-la. No começo da tarde passei sozinho pela porta da casa dela, mas nada vi. Eu ficava imaginando como poderia existir uma menina tão formosa escondida no meio desse pedaço de paraíso envolto de mato.

Chega a noite e lá vamos eu e o Tiago atrás da tal merda. Vou guiando a caminhada com intuito de chegar a casa dela. Chegando lá meu peito pula quando tenho a visão do paraíso em forma de mulher. Segurando um saco cheio de merda seca de vaca falo um olá para ela, mas sou ignorado de forma fria, na tentativa de mais um oi ela entra repentinamente dentro de sua humilde e desbotada casa.

Voltamos para o rancho. Eu frustrado por ter ficado tão perto de tão bela garota e não ter tido o prazer de saber seu nome nem ao menos ouvir sua voz. No dia seguinte seria o último que ficaríamos no rancho e eu não poderia ir embora sem antes conhecê-la.

Quando amanhece sigo pela estrada a caminho de sua casa. Ia inventar uma desculpa qualquer para poder me aproximar dela. Chego lá e chamo, grito quase me esgoelo, mas nada, ninguém na casa.

Volto pela estrada frustrado, mas logo vejo uma carroça puxada por um cavalo magro e um senhor guiando vindo em minha direção. Vejo a possibilidade de conhecê-la, pois um morador local conhece todo mundo das redondezas e iria perguntá-lo sobre a linda garota da casinha azul desbotado.

Um senhor de pele enrugada e mãos grossas com um olhar cansado devido aos longos anos de trabalho na roça. Logo o paro e lhe pergunto:

– Mora alguém naquela casa azul, pois fui lá e não encontrei ninguém?

– Não moço, já faz algum tempo que não tem ninguém lá.

Engulo seco, mas certo de que vi alguém lá, o Tiago também viu e logo contesto:

– O senhor tem certeza? Mas eu vi uma linda moça lá noite passada.

– Não moço, não mora ninguém lá. A família que morava lá se mudou faz tempo. Dizem que em noite de lua cheia aparece uma menina na casa, eu ouvindo atentamente assustado, mas essa menina morreu faz uns quinze anos.

Primeira e última vez que venho ao rancho.

JC

Agosto/2008

Elias é morador do subúrbio carioca, humilde e tranqüilo um rapaz alto e magro, mas muito inteligente para seus dezenove anos. Parou de estudar cedo, não chegou a completar o ensino médio, mas sempre estava com um livro em mãos dos mais variados conteúdos. Sempre disposto a conversar sobre assuntos interessantes que adicionam algo a pessoa, apesar das dificuldades que passava por falta de dinheiro nunca demonstrava tristeza. Não ligava para o consumismo, usava roupas surradas que muitas vezes eram doadas por amigos, que o considerava único pelo seu espírito alegre e singular. As vezes gostava de fumar um baseado com a rapaziada para relaxar e ficar introspectivo.

Numa tarde de Março um dos amigos de Elias, o Bola, foi chamá-lo para ir a sua casa, que fica a poucas quadras de sua residência. Foram na intenção de papear e ouvir um som do Radiohead.

Chegando ao começo da vila onde Bola mora, que se inicia por um corredor de quase dois metros de largura, viram um senhor calvo de quase sessenta anos vestindo uma camisa listrada com os botões abertos caído no chão. Bola comenta que já o conhece de vista e que esse senhor costuma ficar no boteco da esquina bebendo e supõe que o senhor estava caído porque estava embriagado. Elias observa de mais perto e tem a percepção de que o senhor não estava bêbado, pois estava com a respiração ofegante e com as mãos pressionadas sobre o peito tendo dificuldade para esboçar alguma palavra, e parecia estar pedindo alguma ajuda.

Elias, que se viu num momento de empatia, tenta ajudar aquele senhor e pede para Bola contatar a emergência o mais rápido possível. Sentindo o momento de agonia interminável que o senhor desconhecido passava, Elias massageava seu peito deduzindo que o sofrimento do senhor estava sendo causado por um começo de ataque cardíaco.

Elias e Bola se viam num momento agonizante vendo o sofrimento daquele senhor a cada minuto que passava com a demora da ambulância. Elias ficava pensando naquele senhor desconhecido e sentia seu sofrimento por estar ali sozinho achando que sua presença naquela hora não era por acaso. Era o destino lhe falando para ajudar aquela alma que sofria naquele momento peculiar.

A chegada da ambulância traz tranqüilidade para Elias e Bola. O barulho das sirenes anuncia que alguém esta mal e com isso a chegada dos curiosos é inevitável. Todos olhando espantados e comentando o ocorrido com a pessoa do lado, pensando consigo mesmos que aquela cena apenas acontece com o vizinho e nunca vai acontecer com eles.

O paramédico presta os primeiros socorros e fala para Elias que o senhor precisa ser levado ao hospital o mais rápido possível, porém o questiona de quem vai acompanhá-lo já que nenhum parente ou conhecido apareceu. Elias olhou para os lados na esperança de encontrar algum parente, algum conhecido, mas nada. Prontificou-se para acompanhar o senhor na ambulância a caminho do hospital. O que seria apenas uma tarde de fumaça e conversa com Bola agora se torna uma missão para salvar uma vida.

Chegando ao hospital, a fila de espera é enorme, macas com doentes estão espalhadas pelos corredores, mas o senhor é imediatamente levado para uma sala onde ocorrem atendimentos de emergência.

Elias espera. Num momento de reflexão ele ficou imaginando se não estivesse aparecido naquele momento em que o senhor estava agonizando, o que seria dele, com certeza o pior iria acontecer.

Passaram duas horas e o médico aparece, chama Elias e lhe diz que o estado do senhor é estável. Elias pergunta se encontraram algum parente e se poderia ir embora, o médico fala que conseguiram o contato de alguém e que esse alguém já estava a caminho. Elias se sente mais confortável com a notícia e com a chegada de alguém conhecido e decide ir embora. Porém o hospital fica longe de sua casa e está sem dinheiro o jeito é pedir uma carona para o motorista do ônibus, o chamado calote.

Depois de alguns meses do fato.

Elias começou a freqüentar uma academia de ginástica para fazer fisioterapia devido a uma cirurgia que sofrera no joelho esquerdo. Fez essa cirurgia graças a um amigo que lhe emprestou a carteira do plano de saúde e Elias se fez passar por ele para fazer o tratamento. Ninguém desconfiou de nada.

Na academia Elias conheceu Móca, um rapaz de vinte e poucos anos, de boa fala e culto, porém estava acima do peso e por isso começou a malhar. Elias e Móca fizeram amizade por causa da compatibilidade das idéias. No decorrer dos dias na academia fortaleceram a amizade e sempre queimavam um beck quando saiam. Conversavam sobre assuntos diversos, principalmente sobre música e livros, que era paixão de ambos. Frequentava um a casa do outro e ficavam filosofando sobre os conflitos e atitudes contemporâneos das pessoas e do mundo.

Numa noite de quinta para sexta-feira, Móca estava de saída da casa de Elias: “Coé Móca você tem um livro maneiro pra empresta pru irmão?”- perguntou Elias. “Tenho sim, tem um que é muita viajem, é um livro de Voltaire que se chama Zadig ou La Destinée.”- responde Móca “esse livro fala sobre um jovem chamado Zadig muito inteligente e sábio para sua época, mas que passa por várias armadilhas do destino até ele aprender o porquê dessas armadilhas e que o destino lhe reservava um futuro de conquistas”. Elias acha o livro legal, pede emprestado e por causa do título se lembra do que aconteceu meses atrás com o senhor que ajudou.

Elias começou a contar a história do senhor desconhecido que ajudou a levar para o hospital alguns meses atrás e comparou com o titulo do livro, que se não fosse o destino não se sabe o que seria do senhor. Elias detalhava os momentos da história para Móca e conforme ia contando o fato, Móca começou a ficar tremulo e surpreso. Uma mistura de espanto e curiosidade ia tomando conta de Móca.

“Mas Elias, como era esse senhor?”- pergunta Móca. “Ele era calvo e aparentava sessenta anos e tava com uma camisa listrada de botão.” – fala Elias. Móca fica pálido e interrompe Elias: “Para que hospital ele foi levado?” “Ele foi levado para o hospital daqui do bairro e falaram que iria chegar um parente dele e com isso fui embora”.

Começam a cair lágrimas do olho de Móca. “Mas o que foi Móca?”- pergunta Elias preocupado – “Esse senhor que você ajudou era meu pai, e a pessoa que estava indo ao hospital era eu”- fala Móca com palavras tristes sobre o que aconteceu – “e ele ficou bem?” questiona Elias, – “chegando ao hospital fiquei sabendo que um rapaz tinha ajudado meu pai, fiquei com ele aquele noite, mas era a sua última noite vivo, uma noite de quinta para sexta-feira”.

Os dois se abraçaram muito emocionados e Elias lamentou o que aconteceu com o pai de Móca e ficaram surpresos com mais uma demonstração do acaso, do destino, de vidas.

Jonas Candido / Outubro 2008

Conto dedicado a Elimar “Engraçado”

Depois daqueles dias cheios onde você não para um minuto ao longo da rotina, ainda sou obrigado a fazer uma pequena corrida para não perder o ônibus para casa. Para variar ele esta lotado e tenho que ir em pé pendurado naquele ferro onde várias mãos passaram por ali. Estou com uma mochila que tem uma quentinha vazia e material da faculdade com livros e anotações, a essa altura do fim do dia a mochila pesa uns cem quilos e fico na esperança de alguma alma caridosa ter a gentileza de oferecer uma ajuda para segurar minha mochila, pois em pé é cruel. Nada, ninguém. Por ironia estamos passando pela rodoviária onde tem as palavras do profeta Gentileza que diz “gentileza gera gentileza”, mas pelo visto nesse ônibus a única gentileza é quando o motorista para no ponto certo.

Tento escutar um som no meu radinho, mas sempre com receio de que algum maluco aventureiro venha roubar o ônibus, aí já era tem que dizer adeus ao rádio, celular, dinheiro e o que mais você carregar de valor pros noiados da vida.

O ‘cata-corno’ passa por Manguinhos, uma das favelas mais cruéis do Rio, e sobe uns três moleques descalços, com camisa maior que eles e com um olhar vazio pedindo por misericórdia, apenas crianças. Um deles começa a falar: “sou o Douglas, mais conhecido como beijoqueiro”, nesse instante ele começa a cumprimentar os passageiros, dando e recebendo beijos. Vi ali uma simpatia incrível e muita sinceridade em suas palavras que dizia: “infelizmente sou obrigado a pedir uma ajuda, pois como muitos, não tenho condições para ter uma vida melhor, não roubo e não uso drogas por isso prefiro pedir uma ajuda”. Essas palavras tocaram meu coração, pois vi uma real sinceridade e espontaneidade na sua atitude para falar com as pessoas, apenas uma criança dentre as milhares largadas por aí. Pego algumas moedas e dou a ele, o garoto me agradece com um beijo e desce alguns pontos depois. Não sei se dei com a intenção de ajudá-lo ou apenas para me sentir melhor, mas tanto faz que diferença faz.

O trajeto do ônibus já é conhecido, todas as curvas os locais repetidos, as mesmas pessoas que pegam o mesmo ônibus no ponto de sempre e descem no mesmo ponto de sempre. Uma mesmice só, que saco. É impressionante que apesar de tudo isso sempre acontece coisas bizarras no coletivo. É a velha que grita para o piloto parar no ponto em vez de puxar a corda do sinal, os vendedores ambulantes vendendo suas bugigangas e estragadores de dentes, e a grande quantidade de gente pedindo apenas uma carona para o motorista. Esses caras são foda, parece uma máfia. Em vez de receber a passagem eles pedem um “café” e abrem a porta de saída para você entrar, eu não ligo, porque prefiro fortalecer o cobrador e o motorista do que o dono da empresa que já esta com o rabo cheio de dinheiro. Enfim é assim que funciona o “jeitinho brasileiro”. Ainda bem que desço no ponto final então posso dar uma cochilada sem me preocupar de passar do ponto. Mas é foda, tem que ficar com um olho no padre e outro na missa.

Fecho meus olhos e fico imaginando como seria se eu pudesse voar. Sem engarrafamento, chegando cedo em casa, sem perigo de assalto, sem gente reclamando, enfim sem stress. Pela janela do ônibus olho os carros e vejo pessoas sozinhas com seus vidros fechados por causa do ar condicionado, ouvindo sua música na rádio preferida, mas sempre cautelosos por causa de assaltos. Quanta desigualdade, enquanto essa lata de sardinha esta lotada fica uma galera tirando onda nos seus carros de IPVA caro movidos a gás. Foda-se, um dia eu também vou ter a minha, a minha droga de aluguel que vou ficar tão dependente que vai me matar aos poucos, seja por uma bala na cabeça ou por uma doença circulatória que essa droga vai fazer eu adquirir com o sedentarismo moderno.

Senta uma mina muito style do meu lado, provavelmente vindo da faculdade também. Penso em puxar uma conversa ingênua, mas que tem um fundo de interesse. Falar sobre o que? O tempo? Perguntar as horas? Reclamar do ônibus? Não, são muito comuns esses assuntos. E se ela tiver namorado? E se for lésbica? E se ela esta muito cansada e não esta afim de um chato querendo puxar conversa. Que bosta, fiquei nesse conflito de indecisões e ela faz sinal para descer, será que deixei um possível amor escapar por uma insegurança minha? Pelo menos estou chegando a casa, faço a contagem regressiva para a chegada em minha cama. Olho para trás e como sempre sou o único a restar dentro do ônibus. O motorista fala com o cobrador sobre a rotina de trabalho desejando um bom descanso ao final de mais um dia. Cumprimento o piloto e sigo o caminho, mais um dia, o mesmo caminho, mas sempre com histórias diferentes, curiosas, tensas e quem sabe um dia prazeroso. Apenas mais um, mais um dia comum.

Jonas Candido

Dezembro/2008

            Antes de dormir já estava tudo planejado para o dia posterior, mas sabe quando você planeja e nada daquilo acontece, esse foi um desses dias.

             Acordei, fui trabalhar, e até aí nada de novo. Depois do expediente é quando tudo começa.

             Tinha combinado com minha mina, depois do trabalho, de encontrá-la no shopping com sua prima e também combinei com um amigo para ele conhecer a prima e assim unir o útil ao agradável, um típico caso de cupido, o rotineiro passeio de casal.

             Tudo combinado, marcado e estipulado. Depois de um suculhoso Yakisoba que almocei com minha doce namorada, saímos do trabalho e decidimos pegar o metrô. Estávamos em tanta sintonia, entre beijos, abraços e palavras ao pé do ouvido, que quando vimos, já tínhamos passado de duas estações na qual iríamos descer. O atraso para o encontro seria inevitável.

             Quando chegamos às pessoas estavam esperando como combinado, a prima e meu amigo, a apresentação foi de praxe e o passeio com vistas para as vitrines apelando para o consumismo vazio também. Enfim, quem tem compra, quem não tem apenas passeia e não cai na armadilha do capitalismo selvagem.

             Passeio pra cá, bate perna pra lá, a chuva não perdoando lá fora e os dois, prima e amigo, de role trocando saliva de canto. A hora passando e o meu plano e da minha mina indo por chuva, quer dizer, por água abaixo, por causa do descobrimento labial dos dois.

             Desiludidos pela provável quebra de plano, pois a intenção era de fazer um role só nosso, decidimos ir cada um para sua casa, infelizmente passar o restante da noite nos desejando, mas longe um do outro.

             Kombi vai, Kombi vem, e todas lotadas, já estou ficando puto, primeiro por causa de o plano ter morrido afogado na chuva e segundo por causa de um simples desejo não realizado que é o de pegar um transporte para chegar na minha humilde e solitária casa.

             Até que enfim uma Kombi, ela faz um caminho mais longo, mas sentado e indo pra casa. Essa tal de Kombi deveria se chamar ‘lata de sardinha’ e como exigência para embarcar, a aplicação de uma antitetânica. Em meio a passageiros, que não sabem o significado da palavra educação, jogando lixo pela janela, o piloto que mais parecia dirigir uma carroça com uma Mula perneta e com a unha encravada num trânsito infernal, recebo um telefonema da minha doce menina, me pedindo para ir buscá-la no ponto de ônibus.

             Noticia ótima, plano B? Pode ser, e lá vou eu para o ponto como se estivesse a esperar minha princesa na sua carruagem real. Quinze minutos e nada. Vinte minutos e nada. Meia hora e o sangue começando a correr mais rápido e nada. Quando ela chega, linda e cheirosa ao meu encontro. Pelo menos o final do planejado começa a se concluir.

             Estamos caminhando para minha casa em meio a uma conversa entrosada, atravessando a rua, quando dois sujeitos de cara feia e forçando uma expressão de pessoas más, fala o verbo, como se o fato já tivesse se consumado. – PERDEU! – fala um deles.

             Eu perco?

            Tu perdes;

            Ele perde;

            Nós perdemos;

            Vós perdeis;

            E eles, perdem?

             Este presente do indicativo está propondo que no presente a indicação é a de que perdi, mas quem perde? Eu, tu ou ele? Parece que somos nós, vós e eles que perdem.

             Passa tudo, é esse o significado do verbo perder na linguagem dos ignorantes de respeito ao próximo. Segurando algo que parecia uma arma por baixo da camisa larga, exigindo a entrega do celular e outras coisas de valor, mas na dúvida é melhor não duvidar.

           O verbo perder, conjugado na 3ª pessoa do pretérito perfeito, é pronunciado numa ignorância perfeita em uma situação onde o que menos importa é a gramática e sim o que se perde.

               Numa situação atípica, sem poder de reação, enquanto um puxava meu cordão e o outro a mochila, minha mina esboçava um desespero com suas coisas, seus pertences, sua história contada por objetos conquistados guardados naquela mochila, onde delinqüentes iriam tomar posse em questão de segundos.

              – O que ta acontecendo aí! – fala o motorista de uma Kombi, cheia de passageiros, no momento da ação.

                O punguista retrucou encarando o piloto da lotação, que nesse momento sai de sua Kombi que mais parecia um cavalo alado junto do seu cavaleiro medieval, empunhando sua espada, enviado por deuses, como num desenho em quadrinhos, pronto para despachar o vilão.

               Neste momento quando olho para a rua, tenho a impressão de ver uma fonte de água límpida na seca do mais quente verão do sertão nordestino. Uma miragem? Uma ilusão? Era o Gol bolinha da policia subindo a rua.

                  Entro no campo de visão da viatura e como um habilidoso mímico, aponto os ladrões que nesse momento saem correndo, cada um para um lado. Os policiais não entendendo nada ficam segundos parados digerindo o fato, mas parecia uma eternidade aos meus olhos. A viatura persegue um deles, entra na contramão, e como um fato encarado com naturalidade e corriqueiro de uma grande metrópole, os policiais começam a atirar com seus fuzis, do tamanho de uma criança de dez anos, para cima daquela alma que foge desesperadamente sem rumo.

                  Minha emotiva mina fica perguntando sobre suas coisas, sua bolsa, seus documentos, seu pouco tudo, mas não percebe que estou com sua mochila em baixo do meu braço, pois para um melhor engajamento em sua fuga, o ladrão larga sua mochila pesada, minimizando o prejuízo material.

                 Procuramos sair dali o mais rápido possível, movidos rapidamente pela adrenalina que corre nas veias, caminhamos em passos largos para casa sem querer saber do desfecho daquela cena digna de bang-bang holywoodiano.

               Chegando a casa, comentários inevitáveis sobre o fato e a recontagem do prejuízo selam a nossa noite. O que no começo do dia estava tudo planejado, no desfecho da noite estava tudo encerrado, de maneira jamais imaginada, e a única coisa que deu certo foi um abraço confortável e cúmplice com minha doce mina para fechar esse dia, apenas mais um dia onde questões ficaram sem respostas.

Eu perco?

E eles, perdem?

Jonas Cândido

Fevereiro/2009 

Parece que ás vezes a sorte conspira a nosso favor, escrevo isso me referindo a uma mulher ir atrás de um homem, mas este ‘ir atrás’ pode ser por várias circunstâncias e pode ter vários significados e conseqüências.

Um grande amigo meu, certa vez, contou-me um caso digno de roteiro de novela. Para eu que estava ouvindo já me surpreendi, fico imaginando para meu amigo, o Coruja, como deve ter sido digerir tal fato.

O Coruja é um cara tranqüilo e largado, com mais ou menos vinte anos de idade. Largado na maneira de se vestir e falar, sempre com seu estilo único e inconfundível, mas sempre prestativo e piadista, um excelente amigo, mas devagar em relação a ficar ou xavecar as minas. Quando surge aquela oportunidade de ouro para pegar a menina, ele sempre desperdiça contando a famosa história do Chico Bento, fica de lorota e não parte para a ação, desanimando as garotas provocando nelas intermináveis bocejos.

Hoje em dia, nos tempos de globalização, estamos interligados com o mundo todo através da internet, e fazer parte de um site de relacionamentos é essencial para a comunicação com conhecidos e tornar desconhecidos novos amigos. Para o Coruja foi uma mão na roda, pois as chances de conhecer uma mina aumentou e sua freqüência nesse site era regular. Quando você não faz parte de uma comunidade digital está quase que excluído da sociedade contemporânea mundial, enfim, o Coruja, como outros milhões, também faz parte dessa era.

Depois de uma sessão de skate divertida e cansativa, sentamos no banco de uma praça, para trocar uma idéia, quando, com a voz séria e com tom de desabafo ele começa a contar o ocorrido.

– Você não acredita o que aconteceu comigo.

– O que mano algo sério?

– Foi sério, seríssimo.

– Então fala porra. – eu já impaciente.

– Esses dias uma mina me adicionou no Orkut, até que ela é bonitinha, começamos a trocar uma idéia através de mensagens e percebi que ela é uma menina legal.

– Que milagre é esse mano, uma mina te dando moral.

– Então, fiquei cheio de esperança…

– Claro! Vários tempos na seca, têm que dar o bote logo. – o interrompo com uma risadinha no canto da boca.

– Não enche meu saco senão não conto o restante. – Ele fala meio bravo.

– Calma mano, os amigos são para essas coisas, para perturbar e para escutar também.

– Tá irmão, mas desta vez só escuta falo?

– Tá bom, tá bom.

– Então, ficamos trocando uns scraps por umas três semanas até que ela quis marcar um encontro comigo, fiquei com o pé atrás pela facilidade, mas parecia que a sorte estava a meu favor. Ela sugeriu na sorveteria em frente da praça 7 de Setembro, no meio da tarde, achei estranho, mas fui.

– E aí mano o que aconteceu? – falo cada vez mais curioso pelo desenrolar da história.

– Achei estranho porque eu fiquei com uma ansiedade fora do normal. Tomei um banho, coloquei um perfume, montei na moto e fui. Quando cheguei ela já estava me esperando.

– Ela é gata mano?

Coruja contou-me que ela tinha um cabelo na altura dos ombros, olhos bonitos, mas de beleza comum, nada que chame muita atenção porque suas roupas, apesar de arrumadinha, não era muito seu estilo, ela disse que tinha dezessete anos.

– Até que é bonitinha, mas não conseguia parar de olhar pra ela, pois lembrava a minha irmã mais velha, enfim, ficamos conversando sobre várias coisas, tomando um sorvete de pistache com chocolate, numa tarde agradável de sol no banco da praça.

– E aí Coruja, pegou ou não pegou?

– Calma mano, você não imagina o que aconteceu.

– O que mano? Desembucha logo.

Eu não sabia o estaria por vir, mas estava sentindo em seus dizeres que alguma revelação bombástica estaria a acontecer, pois o conhecia há mil anos e achei estranho o seu modo de contar tal história.

– Chegou a certa altura da conversa em que as palavras começaram a faltar, quando ela olhou pra mim e falou que tinha algo sério pra me contar. Falou que a intenção do encontro não era a de ficar comigo, fiquei puto na hora, mas depois…

Neste momento Coruja começa a olhar para o chão, meio que desolado com o que tinha ouvido daquela garota, fez uma pausa junto com uma lufada de ar que enchia seus pulmões, se preparando para explanar algo estarrecedor que aconteceu naquela tarde na praça.

– Porra! Para de enrolar e fala logo! – exclamo me coçando de curiosidade, mas não sabendo da grandeza do fato que estaria por vir.

– Disse-me que estava me procurando no Orkut fazia um tempo e quando achou decidiu, junto com sua mãe revelar tudo, ela apontou para um banco que estava atrás da gente com uma senhora sentada, que no momento tava olhando pra gente, e sem cerimônia, objetiva e direta falou:

– Aquela sentada ali é minha mãe, e eu sou sua irmã. – disse ela, aparentando um certo nervosismo.

– Mano, aquela hora o chão desapareceu e o mundo desabou na minha cabeça, fiquei muito confuso e não entendendo ou não querendo entender, meus pensamentos ficaram a milhão, mas no primeiro momento fiquei desconfiado até que o que ela ia dizendo fazia coerência.

Fiquei imaginando a cena e me coloquei em seu lugar, surgindo várias perguntas na minha cabeça.

– Mas e aí Coruja o que aconteceu?

– Pedi um minuto pra saber se aquilo estava acontecendo mesmo, e ela continuou falando, falou de meu pai com riqueza nos detalhes que não tive mais duvidas e decidiu junto com a mãe dela em me procurar para esclarecer esse assunto, me conhecer, e evitar um possível encontro por aí sem nos conhecer.

– Vai que vocês se encontram na balada e ficam, sem saber que eram irmãos.

– É foi essa a uma das intenções do encontro. Fiquei pensando no meu pai, como ele pode ter ocultado isso de mim esse tempo todo, e minha mãe enganada esses anos todos. Agora matei a charada do porque que ela parece com minha irmã.

Coruja engole seco e ao mesmo tempo aliviado por estar contando este segredo para alguém.

– Que foda mano, mas e seu pai você falou com ele?

– Claro, depois do encontro com ela saí de lá e fui para um lugar vazio onde não tinha ninguém, para digerir e refletir sobre essa parada. Depois procurei meu pai, claro que eu estava nervoso, por saber dessa história pela boca que não era a dele, e pela minha mãe, enganada todo esse tempo.

– E como foi a conversa com ele mano? Você falou com sua mãe também? – pergunto mais espantado do que curioso.

– Cheguei a casa ele não estava, fiquei matutando o que ia lhe dizer, mas na hora eu vomitei todas as palavras que tinha escutado daquela garota e ele espantado começou a argumentar comigo chamando minha mãe para participar.

– E qual foi a reação da sua mãe?

– Por incrível que pareça e para meu espanto, ela já sabia de tudo e fazia tempo. Explicou-me que na época meu pai lhe confessou que tinha cometido esse deslize fora do casamento e o perdoou, mas questionei o porquê que eu não sabia disso, pois eu estava me sentindo enganado e excluído sobre uma informação que envolvia meus pais e consequentemente eu e minha irmã. Falaram que para me preservar, não sei do que, decidiram não me contar, mas agora está tudo desvelado.

Eu não sabia o que falar, muito menos aconselhar meu amigo que se encontrava num momento de revelação e confiando seu segredo para mim, eu apenas falei que a vida continua e que isso só vai ser uma influencia em sua vida se ele deixar.

– E agora Coruja qual vai ser? – pergunto.

– Deixa rolar mano, mas nem vou atrás, não quero saber, prefiro fingir que nada disso aconteceu.

– É mano, mas vai ser mais uma na lista das que você não pegou. – falo em tom de brincadeira.

– Ah vai se fuder e vamos anda de skate, porra.

– Demoro.

Depois desse dia, Coruja ficou um ano sem acessar o Orkut.

JONAS CANDIDO

ABRIL/2009